O bom vinho alegra o coração do homem,
diz um antigo ditado. Na verdade, ele faz bem mais que isso:
Diminui o risco de problemas cardíacos e
outras doenças crônicas. Graças à presença de substâncias chamadas poli fenóis,
o vinho tem efeito antioxidante, inibe o colesterol ruim, é vasodilatador e
retarda o envelhecimento das células, fazendo bem ao coração e à circulação
sanguínea.
A relação entre o vinho e a saúde é tão
antiga quanto à origem da bebida, considerada sagrada pelos gregos. Dois mil
anos antes de Cristo, os sumérios e as civilizações egípcias já o utilizavam
para fins medicinais e até o século 18 muitos consideravam o hábito de ter
vinho à mesa mais seguro que a água, que trazia risco de contaminação.
Nos anos 90, o que até então era uma
crença ganhou caráter científico. Um estudo do pesquisador Serge Renaud revelou
que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronarianas
que os norte-americanos, apesar de fumarem mais e consumirem a mesma quantidade
de gorduras.
A principal explicação para o que Renaud
chamou de “paradoxo francês” estaria no consumo regular e moderado de vinho.
Como era de se esperar, após a
divulgação de seu estudo, o consumo da bebida nos EUA multiplicou-se por quatro
e deu origem uma preocupação com o aumento do alcoolismo e as inúmeras discussões
sobre os benefícios do vinho para a saúde.
Hoje, a tese é aceita pela comunidade
médica. É importante lembrar, porém, que só os poli fenóis não fazem milagres.
Para proteger o Coração, o consumo de vinho deve estar
associado a um estilo de vida saudável e a uma dieta equilibrada.
“Além disso, deve ser usado com moderação”,
recomenda o cardiologista Nabil Gorayeb, um dos mais renomados profissionais em
sua especialidade. Segundo Gorayeb, o ideal,
para os homens, é tomar diariamente uma média de duas taças, enquanto as
mulheres devem ficar com apenas uma taça. O mesmo vale para a
cerveja, que tem em sua fórmula um componente, o levedo, com as
mesmas propriedades,
mas em menor escala. Nem todos, porém,
podem se beneficiar dessas vantagens. Os hipertensos devem ser
ainda mais moderados em suas doses e os diabéticos precisam passar
longe do vinho.
Da mesma forma, nem todos os vinhos
trazem os mesmos benefícios. “Os tintos são os que fazem melhor ao coração, em
relação aos brancos”, afirma Gorayeb.
Em uvas escuras, como bordeaux, cabernet,
malbec e carmenére,
são encontrados maior número de
flavonóides – espécie de nutriente presente em frutas e vegetais – que auxiliam
no controle de arritmia, ajudam a evitar problemas do miocárdio e combatem a pressão
alta. A substância resveratol, também presente no vinho, reduz as chances de
coagulação do sangue, prevenindo o entupimento das artérias.
Como diz outro ditado, o bom vinho faz
bom sangue.
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