CEFALÉIA ORGÁSMICA
Acredita-se que 90%
dos homens e 95% das mulheres sofram de algum tipo de dor de cabeça ao longo do
ano. De modo geral, a prevalência de queixas e sintomas aumenta com a idade.
Isso decorre de diversos fatores, como o aumento da morbidade médica nos idosos
por doenças crônico-degenerativas. Porém, nas cefaléias ocorre um fenômeno
inverso. Estudos mostraram que 74% dos homens e 92% das mulheres com idade
entre 21 e 34 anos queixavam de dores de cabeça, ao passo que entre as pessoas
com mais de 75 anos, esses valores diminuiram para 21%, nos homens, e 55%
nas mulheres.
A cefaléia
associada à atividade sexual é considerada cefaléia primária, precipitada pelo
coito, masturbação e sonhos eróticos. Ocorre mais no sexo masculino, entre 30 e
50 anos de idade, mas pode surgir em qualquer idade. Não depende da técnica
utilizada nem de mudança de parceiro. Está associada com o aumento da
freqüência ou outras modificações da rotina da atividade sexual. Os pacientes
com cefaléia de esforço são mais suscetíveis a apresentarem cefaléia associada
com a atividade sexual.
Existem dois tipos
de cefaléia associados com a atividade sexual, cada um com características e
fisiopatogenia próprias. A cefaléia pré-orgástica e a orgástica.
A cefaléia
orgástica é a corre em 73% dos casos, como o nome indica é súbita e
severa (explosiva) que aparece no momento do orgasmo. É de início abrupto,
occipital ou generalizada, mas pode ser hemicraniana. É latejante e pode ser
acompanhada de náuseas e vômitos. A duração da dor é curta, de 5 a 10 minutos,
se a atividade sexual for interrompida, mas pode persistir por até 24 horas.
Predomina no sexo masculino na proporção de 3:1. A fisiopatogenia está ligada a
hipertensão arterial que, no
momento do orgasmo, pode atingir valores de 210×135 mmHg em pessoas normais. É,
portanto, uma cefaléia semelhante a da crise hipertensiva ou a do
feocromocitoma. Em geral aparece em relações sexuais sucessivas (algumas
semanas) desaparecendo depois, mesmo sem tratamento.
O médico deve estar
atento no diagnóstico diferencial entre o tipo benigno de cefaléia coital e um
possível sangramento meníngeo. A atividade sexual é o fator precipitante de
hemorragia subaracnóidea em 4% a 8% dos pacientes com aneurisma cerebral e em
4% a 5% dos com malformações arteriovenosas. Os sinais/sintomas que indicam a
possibilidade de ser hemorragia meníngea são: vômito, alteração do nível da
consciência, meningismo, persistência da dor por mais de 24 horas e déficits
neurológicos focais.
A interrupção da
atividade sexual quando a dor se inicia evita sua intensificação. O paciente
pode ser orientado também para ingerir, uma a duas horas antes da atividade
sexual, ergotamina ou indometacina. Na persistência dos sintomas se pode
indicar o uso de propranolol (120 a 200 mg/dia) ou diltiazem (60 mg/dia), por
algumas semanas.
A cefaléia
pré-orgástica (25% dos casos) é em peso, na cabeça e pescoço, e
bilateral, que se intensifica à medida que a excitação sexual aumenta. Tem,
possivelmente, a mesma fisiopatogenia da cefaléia do tipo tensional. Melhora ou
mesmo cessa se o ato for interrompido e realizadas manobras de relaxamento. Se
a atividade sexual progredir até o orgasmo, a dor pode tornar-se intensa e
permanecer por um a dois dias. Não há necessidade de tratamento profilático. A orientação e para o paciente para não realizar
atividade sexual em dias que esteja tenso e, se ocorrer a dor, o coito deve ser
interrompido.
Sinais de alarme
nas cefaléias, que sempre sugerem que a cefaléia pode ser secundária a uma condição
prévia. São eles: cefaléia nova ou diferente, aparecimento de nova
cefaléia após os 40 anos, cefaléias noturnas ou ao acordar pela manhã, sinais
sistêmicos (mialgia, febre, perda visual, perda de peso, mal-estar, flacidez
dos músculos escapulares, claudicação mandibular), sinais e sintomas
neurológicos (confusão, nível de atenção diminuído, meningismo, papiledema,
crise apopléticas).
As cefaléias
precipitadas por manobra de Valsalva (tosse, espirro, esticar-se, curvar-se) ou
com exercício físico ou sexual, deve-se pensar em problemas
cardiocirculatórios. Apesar, de incomum a angina pode apresentar-se com
cefaléia, devendo este sinal de alarme ser rapidamente investigado com teste de
esforço e estudo hemodinâmico, pois este paciente está no chamado grupo de
risco, obeso, sedentário, tabagista e estressado.
Referências:
Waters WE – Epidemiological data relevant to prognosis in migraine in
adults. Int J Epidem 1972,2:189-194.
Fischer CM – Late life migrane accompaniments: further experience. Stoke 1986,17:1033-1042.
Ostergaard JR, Kraft, M – Benign Coital Headache. Cephalalgia, 1992, 12:353-5.
Speciali JG – Cefaléias, como diagnosticar e tratar.Rev Bras med 2006,63:6-18.
Fischer CM – Late life migrane accompaniments: further experience. Stoke 1986,17:1033-1042.
Ostergaard JR, Kraft, M – Benign Coital Headache. Cephalalgia, 1992, 12:353-5.
Speciali JG – Cefaléias, como diagnosticar e tratar.Rev Bras med 2006,63:6-18.
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